terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Somatotipo



Cada pessoa tem um DNA diferente, isso significa que somos 7 bilhões de seres, diferentes uns dos outros. Também quer dizer que a genética é um fator determinante no desenvolvimento de uma pessoa. Pensando por esse ponto de vista, se somos seres únicos, possivelmente o que funciona para um indivíduo não funciona para o outro. Isso vale para dietas, assim como para atividades físicas. Um bom exemplo é uma pessoa magra, com pouca tendência de acumular gordura, que provavelmente terá dificuldade em se tornar musculosa, por mais tempo que ela treine.

Foi pensando nesse conceito que o fisiologista norte-americano William Sheldon criou a técnica da somatotipia. trata-se de um método para classificação corporal, que divide a estrutura física do ser humano em três condições diferenciadas: a endomorfia, a mesomorfia e a ectomorfia. Com essa divisão é possível identificar características e necessidades particulares, para propor o melhor tipo de exercício, por exemplo.

Atualmente há várias aplicações para a somototipia, que pode ajudar a detectar novos talentos no esporte, assim como na prática clínica para ajudar a escolher o melhor tratamento a ser aplicado no paciente. Com esses dados é possível estabelecer um programa de alimentação e de treinamento individualizado que trará resultados mais eficazes e de forma mais rápida, pois se respeita a capacidade física e metabólica do indivíduo.

Endomorfo: Geralmente está acima do peso e possui grande quantidade de gordura corporal. Se for realizado um exame de sangue é possível observar uma redução nos níveis de testosterona e um aumento nos níveis de estradiol. Há ainda um quadro de síndrome metabólica, com resistência à insulina e processo inflamatório, com possíveis quadros de doenças autoimunes. O estresse oxidativo elevado também é uma característica dessa condição, o que nos mostra que a atividade física “aeróbia” não é a mais indicada para a perda de peso, pois poderia agravar essa situação.

Mesomorfo: É o somatotipo mais desejado, pois revela uma pessoa com grande potencial para ganhar massa muscular. Assim, além de ser uma condição importante nos esportes, é uma característica excelente para quem deseja perder gordura corporal, pois com o aumento da massa muscular, eleva-se o metabolismo e assim o gasto calórico.

Ectomorfo: A pessoa com características ectomórficas apresenta uma condição física bem peculiar, trata-se de um indivíduo alto, longilíneo e muito agitado, excelente para atividades aeróbias, de resistência, mas com pouca capacidade de ganhar massa muscular. 



Cada vez mais a ciência vem nos dando embasamento para a necessidade de se respeitar as individualidades de cada um. Assim, o que pode ser bom para uma pessoa, não necessariamente é para outra. Desta forma, ao conseguirmos descobrir as reais necessidades de cada organismo, tanto nutricionais, quanto emocionais, mentais, espirituais e físicas, conseguimos oferecer o melhor tratamento, a melhor intervenção, para equilibrar novamente o corpo, por meio dos ajustes metabólicos e hormonais, para proporcionar uma condição ótima de saúde para o nosso paciente.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referência Bibliográfica:

Exercício certo para a pessoa certa. Meu Prato Saudável. Disponível em: www.meupratosaudavel.com.br Acessado em: 11/12/2017.



domingo, 10 de dezembro de 2017

Cirurgia Bariátrica: Pré-Operatório



A cirurgia de obesidade é considerada terapia efetiva para obesidade mórbida e pode resultar em melhora da qualidade de vida ou completa solução das comorbidades associadas à obesidade. Contudo, este resultado depende  de adequada indicação da cirurgia e acompanhamento multidisciplinar adequado.

A avaliação pré-operatória dos pacientes candidatos à cirurgia bariátrica deverá ser realizada por equipe multidisciplinar com o objetivo de informar sobre os riscos, benefícios e opções de técnicas cirúrgicas disponíveis.

O aconselhamento nutricional no período pré-operatório tem como objetivo promover a perda de peso suficiente para reduzir a mortalidade associada às comorbidades, reduzir o risco cirúrgico e aumentar o potencial de sucesso no pós-operatório. Um bom entendimento das mudanças da capacidade e função gástrica e das adaptações dietéticas necessárias é decisivo para se obter um ótimo resultado após a cirurgia. Durante este período de acompanhamento, é possível identificar erros e transtornos alimentares, estimular expectativas reais de perda de peso e preparar o paciente para a alimentação no pós-operatório, Recomenda-se um período de pelo menos 3 meses para modificar o repertório alimentar e preparar o paciente para a cirurgia.

Para alcançar uma perda de peso moderada, deve-se oferecer dieta com baixo teor energético, com déficit de 1.000kcal/dia em relação ao consumo diário ou, ainda, um valor energético total por volta de 10kcal/kg/dia. Do ponto de vista antropométrico, o objetivo antes da cirurgia corresponde à redução de 10% do peso, para que haja redução na mortalidade associada às comorbidades.

Conduta Nutricional no Pré-Operatório

Avaliação antropométrica: na qual será avaliada a compleição física através de peso, altura, circunferências e por vezes: bioimpedância elétrica, dobras cutâneas e calorimetria;

Avaliação bioquímica: a partir de exames laboratoriais (de sangue) e exame de imagem: ultrassonografia de abdômen;

Avaliação dietética: anamnese alimentar, questionário de frequência alimentar, recordatório 24h. Avaliando a ingestão das principais vitaminas e minerais, bem como, o consumo de alimentos proteicos ou muito calóricos (doces, gorduras, bebidas adoçadas alcoólicas).

A partir dessas avaliações é possível identificar e tratar deficiências nutricionais, minimizar o risco cirúrgico mediante redução de peso, planejar um programa alimentar de baixa caloria em pré-operatório visando reduzir a gordura hepática e abdominal, fazer um diagnóstico nutricional emitindo assim um parecer nutricional.

Indivíduos que apresentam obesidade, na maioria dos casos apresentam acúmulo de gordura visceral (presente nos órgãos abdominais, principalmente no fígado). Esta condição também tem relação com a genética do paciente e é mais prevalente no sexo masculino, porém ocorre também diversas pacientes do sexo feminino, em especial no caso de obesidade tipo maçã, em que a distribuição da gordura do organismo é centralizada na região do abdômen.

Na maioria dos casos, é bastante prudente iniciar com dieta hipocalórica e de baixa carga glicêmica (baixa em calorias e sem carboidratos refinados e açúcares) e hiperproteica (rica em proteínas) antes da cirurgia.

Quadro 1. Recomendações de parâmetros para avaliação nutricional nos períodos de pré e pós-operatório.

Recomendação
Sugestão
Outras considerações
Antropometria: peso, estatura, IMC, idade, gênero, cálculo do excesso de peso corporal, circunferência da cintura.

Exame físico: cabelo (brilho, textura, queda), pele (ressecada), olhos, boca (feridas nos cantos, glossite), unhas frágeis e quebradiças, edemas de membros inferiores.
● Realizar exame físico para avaliar a presença de deficiências nutricionais.

● Questionar sobre memória, cãibra, formigamento/dor nos pés, alterações sensoriais (paladar e olfato).

● Questionar sobre apetite, anorexia, empachamento, náuseas e vômitos, principalmente no pós-operatório.

● Se possível, realizar DEXA no pré e pós-operatório.

● Avaliar a composição corporal com BIA sequencial no pós-operatório e as medidas antropométricas.

● A DEXA é indicada para monitorar o desenvolvimento ou a presença de osteoporose, principalmente nas cirurgias mistas e de má-absorção.

● Questionar o paciente sobre irritabilidade, impotência, alteração da marcha, depressão, agitação, alucinação.
História do peso corporal: história de ganho de peso recente, histórico familiar de obesidade, história sobre falha na perda de peso.
● Determinar os principais motivos que levaram ao ganho de peso (por exemplo, após gestação, depressão, ansiedade, doença, etc.).
● Determinar o peso corporal desejável.

● Monitorar a velocidade da perda de peso no pós-operatório.
História clínica: avaliar a presença de comorbidades, uso de medicamentos e suplementos nutricionais, como vitaminas, fitoterápicos, substitutos dietéticos.

● Observar valores laboratoriais, como perfil lipídico, hemograma etc.
● Questionar sobre o uso de álcool;

● Avaliar o hábito intestinal;

● Avaliar antecedentes clínicos;

● Considerar os antecedentes familiares para obesidade e comorbidades.

● Questionar sobre os tratamentos clínicos já realizados para a obesidade e sua relação com o uso de medicamentos, fórmulas ou dietas para emagrecimento.
● No pós-operatório, realizar reavaliação periódica dos valores laboratoriais;

● Avaliar se o paciente tem condições de manter o uso de suplementos de vitaminas e minerais pelo resto da vida.
Anamnese alimentar: realizar recordatório alimentar de 24h e frequência alimentar.

● Realizar análise qualitativa e quantitativa de macro e micronutrientes.

● Observar histórico de intolerância alimentar e/ou alergias.
● Avaliação detalhada sobre os hábitos alimentares, como: quem prepara as refeições, local em que são realizadas, tempo disponível para almoço e jantar e quantidade de refeições ao dia.

● Avaliar a presença e frequência de vômitos no período pós-operatório.
● Considerar hábitos regionais e influências religiosas.

● Considerar as preferências alimentares.

● Incentivar a suplementação de vitaminas/minerais e proteínas no período pós-operatório.

● Planejar a reeducação nutricional no pós-operatório e reavaliação periódica.
Atividade física: avaliar as condições para realizar atividade física, bem como as limitações e preferências.
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● Incentivar atividade física futura de acordo com preferência e as condições clínicas.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas:

Carvalho, KMB; Dutra, ES; Araújo, MSM. Obesidade e Síndrome Metabólica. In: Cuppari, L. Nutrição: nas doenças crônicas não transmissíveis. 1 ed. Barueri, SP; Manole, 2009.

Coppini, LZ. Avaliação nutricional em pré e pós-operatório de Cirurgia Bariátrica. In: Burgos, G. Nutrição em Cirurgia Bariátrica. 1 ed. Rio de Janeiro; Editora Rubio, 2011.

Nutrição antes da cirurgia. Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica. Disponível em: www.sbcnm.org.br Acessado em: 04/12/2017.