quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Alimentos Funcionais e Diabetes



O diabetes mellitus caracteriza-se pelo aumento das concentrações de glicose circulante associado a anormalidades no metabolismo dos carboidratos, dos lipídeos e das proteínas, além de uma variedade de complicações micro e macrovasculares. Todos os estados diabéticos resultam do suprimento deficiente de insulina ou de uma resposta tecidual inadequada às suas ações. O primeiro ocorre, por exemplo, no diabetes tipo 1 que resulta da destruição autoimune das células beta pancreáticas, produtoras de insulina, das ilhotas pancreáticas. O segundo ocorre quando o receptor de insulina apresenta uma imperfeição, ou, mais comumente, quando defeitos genéticos ou adquiridos na cascata de sinalização intracelular pós-receptor atenuam a subsequente resposta fisiológica. Este é o caso do diabetes tipo 2, de maior predominância, uma doença complexa resultante da resistência periférica insulínica combinada com relativa deficiência de insulina.

DIABETES TIPO 1

O diabetes tipo 1 (DM 1) é responsável por aproximadamente 5 a 10% de todos os casos de diabetes. Quando a doença está clinicamente manifestada (e na ausência de insulinoterapia exógena) as concentrações de insulina endógenas são insignificantes ou inexistentes e os pacientes apresentam hiperglicemia e predisposição à acidose. Por isso, esses indivíduos são dependentes de insulina exógena para sobreviver. A presença de lesão nas células das ilhotas pancreáticas em pacientes com DM 1 é refletida na presença de certos anticorpos circulantes, como os anticorpos anti-ilhotas (ICAs), autoanticorpos anti-insulina (IAAs) e anticorpos contra adescarboxilase do ácido glutâmico (anti-GAD). O DM tipo 1 também pode ser de acusa idiopática(minoria dos casos). A manifestação clínica inicial do DM tipo 1 é: hiperglicemia, fadiga, poliúria, polidipsia e visão turva. A abertura do quadro geralmente ocorre na infância e adolescência.

As infecções virais parecem iniciar a autoimunidade. Os autoanticorpos contra as ilhotas pancreáticas têm sido detectados depois de infecções enterovirais, rotavírus, caxumba, rubéola, sarampo e varicela. A evidência mais forte é para as enteroviroses.

A exposição ao leite de vaca e ao glúten antes da oclusão das junções intercelulares do intestino ou durante uma gastroenterite, quando a barreira intestinal está comprometia, também são causas de autoimunidade às células beta-pancreáticas. É provável que a resposta autoimunepostulada para as proteínas dietéticas seja amplificada pela idade do hospedeiro e pelos fatores genéticos.

DIABETES TIPO 2

O diabetes tipo 2 é responsável por mais de 90% de todos os casos de diabetes no mundo. A principal característica é a resistência à ação da insulina no músculo esquelético, tecido adiposo e fígado. A resistência insulínica resulta, primeiramente, na diminuição da distribuição da glicose periferia e, posteriormente, no aumento da produção hepática de glicose. Usualmente o DM tipo 2 começa com um período de resistência insulínica com contínua secreção de insulina pancreática. Como resultado, as concentrações de glicose plasmática permanecem relativamente normais. No entanto, a medida que a doença evolui, a função das células das ilhotas pancreáticas diminui e não há mais condições de satisfazer as demandas periféricas. Com isso, os níveis de insulina não se adaptam às exigências e instala-se a hiperglicemia. Isso pode se manifestar, primeiramente, no período pós prandial, quando a glicose de jejum é mantida precocemente no curso da doença. Os portadores de DM tipo 2 são mais velhos, geralmente acima de 40 anos de idade e estão acima do peso, principalmente com acúmulo de gordura visceral. Por toda a década passada, um aumento alarmante na prevalência do DM tipo 2 foi observado em grupos etários mais jovens, até mesmo em crianças. Isto é o resultado do aumento das taxas de obesidade e inatividade na população infanto-juvenil.

DIABETES GESTACIONAL

É a intolerância aos carboidratos diagnosticada pela primeira vez durante a gestação, e que pode ou não persistir durante o parto.

Fatores de risco: idade superior a 25 anos, obesidade ou ganho excessivo de peso durante a gravidez, gordura abdominal excessiva, história familiar de diabetes em parentes de primeiro grau, baixa estatura (< 1,51 cm), crescimento fetal excessivo, hipertensão ou pré-eclâmpsia, antecedentes obstétricos de morte fetal ou neonatal, de macrossomia ou de diabetes gestacional. É indicado o rastreamento do diabetes gestacional para todas as gestantes com presença ou não de fatores de risco devido à simplicidade de adoção do teste e a possibilidade de intervenção terapêutica precoce, por meio do teste de glicemia de jejum. Recomenda-se solicitação do teste de glicemia de jejum na primeira consulta do pré-natal, caso seja negativo deve ser repetido após a 20a- semana de gestação. O resultado negativo é inferior a 85mg/dl, acima deste valor há indicação de teste de diagnóstico em que pode ser repetida a glicemia de jejum ou realizado um teste de tolerância com 75g de glicose.

HEMOGLOBINA A1C (HBA1C)

Como muitas proteínas, a proteína eritrocitária é não-enzimaticamente glicosilada nos resíduos de amina na presença de glicose, que passa livremente pelas membranas dos glóbulos vermelhos do sangue. O percentual de moléculas de hemoglobina submetidas a essa reação é proporcional à média das concentrações séricas de glicose durante os 60 a 90 dias precedentes ao teste. A hemoglobina A1c é comumente utilizada para avaliar o controle do diabetes em longo prazo (faixa normal de 4 a 6%).

FRUTOSAMINA

A frutosamina sérica é formada pela glicosilação não enzimática de proteínas do soro (albumina). Como a albumina do soro tem meia vida muito mais curta do que a hemoglobina, a frutosamina sérica geralmente reflete o estado de controle glicêmico apenas nas últimas 2semanas anteriores ao teste.

DOSAGEM DE PEPTÍDEO C

Utilizado para distinção laboratorial entre os DM tipo 1 e tipo 2 e, também, para o estudo da reserva pancreática (função da célula beta) nos indivíduos em uso de insulinoterapia.

AUTOMONITORIZAÇÃO DA GLICEMIA CAPILAR

A mensuração da glicemia no sangue capilar, realizada pelo próprio paciente (nível domiciliar) é de extrema importância, sendo indispensável para os pacientes DM tipo 1.

CRITÉRIOS PARA O DIAGNÓSTICO DE DIABETES

● A1C ≥ 6,5%
● Glicemia de jejum ≥ 126mg/dL
● Glicemia pós-prandial de duas horas ≥ 200mg/dL no teste de tolerância à glicose
● Glicemia ao acaso (em qualquer horário) ≥ 200mg/dL em pacientes sintomáticos (poliúria, polidipsia e perda de peso).

CRITÉRIOS PARA O DIAGNÓSTICO DE PRÉ-DIABETES
● A1C entre 5,7% e 6,4%
● Glicemia de jejum entre 100-125 mg/dL
● Glicemia pós-prandial de 2 horas entre 140 e 199 mg/dL, no teste oral de sobrecarga à glicose.

COMPLICAÇÕES

A hipertensão arterial é cerca de duas vezes mais frequente entre os pacientes diabéticos quando comparados à população geral. A doença cardiovascular é a principal responsável pela redução da sobrevida de diabéticos, sendo a causa mais frequente de mortalidade.
O diabetes é a principal causa de amputações não traumáticas de membros inferiores; na ordem de 50 a 70% e a principal causa de cegueira adquirida; no diabetes tipo 1, cerca de 30 a40% dos pacientes desenvolverão nefropatia num período entre 10 a 30 anos, após o início da doença. No diabetes tipo 2, até 40% dos pacientes apresentarão nefropatia após 20 anos da doença.

O risco de o paciente diabético sofrer amputação de membros inferiores é 15 vezes maior que o observado em pacientes não diabéticos. Após 20 anos da doença, quase todos os diabéticos tipo 1 e mais de 60% dos tipo 2 desenvolverão retinopatia diabética.

ALGUNS FITOTERÁPICOS TAMBÉM SE MOSTRARAM EFICAZES NO CONTROLE DESSA PATOLOGIA
Panax ginseng, gymnema sylvestre, fenugreek e flavonóides, como extrato seco de Vitis Vinifera (grape seed), Pycnogenol (extrato de pine bark, extrato de uva do monte (bilberry extract) e extrato de chá verde.

NUTRIÇÃO FUNCIONAL X DIABETES

A alimentação é fundamental no tratamento da  Diabetes , mas sempre a dieta deve ser individualizada, para que todas as considerações específicas sejam consideradas e o resultado seja o melhor possível. 

O objetivo é manter ao máximo os níveis glicêmicos, diminuir a síntese de insulina (caso da resistência insulínica), diminuir a inflamação e a oxidação causada pelo excesso da glicose circulante, a fim de amenizar os efeitos deletérios  circulatórios, renais e oculares. 


A dieta deve conter carboidratos complexos, rica em fibras, amido resistentes, alimentos anti-inflamatórios e antioxidantes, gorduras boas, como, monoinsaturadas e poli-insaturadas. Combinações inteligentes, como associar sempre carboidratos complexos com gorduras, ou proteínas ou fibras, são importantes para retardar o esvaziamento gástrico e manter níveis glicêmicos mais controlados.  Dieta fracionada, boa hidratação, exercícios físicos regulares, também são essenciais. 

Estas são considerações gerais para o Diabetes tipo II ou para quem tem resistência insulínica, mas há também a dieta com contagem de carboidrato, indicada para Diabetes tipo I ou quem faz uso de insulina. Portanto o ideal é sempre buscar ajuda de um profissional para poder ter as orientações individualizadas. 

Dietas com teores de fibras adequados (de acordo com as recomendações) por período prolongado melhoram significativamente o controle glicêmico e reduzem o requerimento diário de insulina exógena. Essas recomendações são padronizadas pela American Dietetic Association (ADA) que recomenda, para adultos sadios, a ingestão de fibras de 20 a 35 g/dia ou 10 a 13 g de fibras para cada 1.000 kcal ingeridas. Para crianças (acima de 2 anos) e adolescentes (até 20 anos), a recomendação é igual à idade mais 5 g de fibras/dia. Para os idosos, recomenda-se de 10 a 13 g de fibras para cada 1.000 kcal ingeridas.

FONTES DE FIBRAS 

● Hortaliças: As paredes celulares das hortaliças, compostas principalmente por celulose, hemicelulose, pectinas, proteínas e polifenóis, são a principal fonte de fibras dietéticas, portanto eficazes no controle de risco do diabetes.

● Aveia: cereal de boa qualidade nutricional rico em fibras solúveis e com efeito hipoglicêmico.

● Farinha da casca do maracujá amarelo: Estudos realizados em pacientes portadores de diabetes demonstram sua eficácia no controle dos níveis glicêmicos desses pacientes. A casca de maracujá é rica em pectina, uma fração de fibra solúvel capaz de ligar-se à água e formar compostos de alta viscosidade, conferindo-lhe efeitos fisiológicos.

● As sementes oleaginosas são ricas em vários nutrientes importantes para o metabolismo energético. Um estudo mostrou que após o aumento do consumo de amêndoas por um grupo de pacientes, verificou-se nos voluntários um aumento da sensibilidade à insulina, o que melhora o processamento de açúcares pelo corpo. Isso se deve provavelmente ao alto teor de cromo e zinco que esses alimentos carregam. No metabolismo, esses nutrientes atuam aumentando a sensibilidade à insulina ocorre por meio de uma série de reações e termina aumentando a captação de glicose.

●O óleo de linhaça é rico em Ômega 3, que ajuda no controle da glicemia, por ser um alimento anti-inflamatório. Use em receitas já prontas ou na salada.
● Os compostos antioxidantes protegem células, tecidos e vários órgãos que são vitais. Destacam-se os seguintes antioxidantes: vitaminas A, C, E e ácido fólico; flavonoides, chá verde, cebola, alho, maçã; antocianinas ,feijão, uvas, morango,cereja; carotenoides ,cenoura, abóbora, tomate, goiaba; ervas e condimentos em destaque a canela , com uma ação excelente hipoglicemiante, além da cúrcuma, alecrim, sálvia, tomilho, orégano.

Lógico que os estudos não irão parar por aqui sobre a influência da alimentação na prevenção ou tratamento do Diabetes. Não tenho dúvidas, que teremos cada vez mais novidades na área da Nutrição Funcional para combater esta doença, pois hoje é alarmante o número de pessoas que já estão "pré Diabéticos" ou Diabéticos, desde crianças até idosos. Mas é muito importante que as pessoas Diabéticas ou com maior risco de desenvolver, tivesse acesso a todas estas informações e colocassem pelo menos parte disso na prática, com certeza, estes números iriam reduzir e também os problemas decorrentes desta patologia!!!
Texto elaborado por: Dra. Roseli Lomele Rossi - CRN 2084 
     
Nutricionista formada pelas Faculdades Integradas São Camilo (CRN 2084 /1983), com título de Especialista em Nutrição Clínica concedido pela ASBRAN - Associação Brasileira de Nutrição. 

Pós Graduada nos cursos de especialização de Planejamento, Organização e Administração de Serviços de Alimentação; Fitoterapia Aplicada à Nutrição Funcional e Nutrição Ortomolecular com Extensão em Nutrigenômica. 

É Diretora da Clínica Equilíbrio Nutricional e autora dos Livros: "Saúde & Sabor com Equilíbrio" - Receitas Infantis, “Saúde & Sabor com Equilíbrio” – Receitas Diet e Light Volumes I e II, Colaboradora do livro Nutrição Esportiva – Aspectos relacionados à suplementação nutricional e autora do Livro “As Melhores Receitas Light da Clínica Personal Diet”.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.


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